Como explicar? É, é meio inexplicável, mas estou descontrolavelmente apaixonada: sentindo dentro do peito uma genuína [e quase sufocante] sensação que brilha, que se transborda nela mesma e quase a vomito sorrindo, deixando vagar na ponta da língua estrelas cadentes, meteoros, o cometa Hayley. Sim, estou amando, em plenitude, eu arriscaria dizer, fervilhando de paixão, mas não é por ninguém não, desencana... é pelo o que se virá, por mim mesma, pela versão de mim mesma que se fará nos próximos anos que se virão. Não pretendo nada me tornar, porque como disse Deleuze, à medida que um se transforma, transforma também aquilo em que se está se transformando, e tudo é transmutação, nada é fixo, tudo é ciclo. E aproveitando a carona das referências, quero parafrasear a sr. Eilish para dizer que estou "apaixonada pelo meu futuro" e quero abraçá-lo, beijá-lo, senti-lo tocar-me a tez, brilhar em mim, correr com ele nas ondas da minha praia favorita, deitar-me com ele nos meus prados mais ternos, observar com ele, e em silêncio, a copa das árvores, ouvi-las farfalhar e sensivelmente inventar formas brincalhonas na nuvens...
